As crianças precisam aprender a esperar, e nós precisamos aprender a atendê-las!

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terça-feira, 26 de abril de 2016

Criar filhos e cuidar de crianças não é fácil, e uma das partes mais difíceis é saber a linha tênue entre o que é necessário ensinar do que é necessário aprender!


Um exemplo disso é a importância do esperar! 

Esperar e ter paciência é um hábito a ser aprendido, no entanto, nos dias de hoje com trabalho, celulares e redes sociais, muitas dessas crianças passam o dia esperando

E quem precisa aprender somos nós, a atendê-las! Dar-lhes nossa atenção, nosso tempo, em momentos de lazer e sem um motivo específico.

Isso por que, dizer "espera só um pouco" para atender um telefone, olhar o Facebook, acabar uma tarefa, ir e e voltar do trabalho, pode ser tornar a maior parte do tempo. E a criança espera. E aí a criança não aprende só a esperar, como ela aprende a só esperar. E, muitas vezes, aprende que atenção é uma coisa que só se consegue pedindo. Que quem não pede não recebe, que ela precisa de atrair essa atenção, precisa de pedir por ela ou merecê-la. Aprende que atenção não vem por ela, por carinho, por amor, mas sim por que foi pedido

Ou seja, a criança aprende que precisa pedir atenção

Mas como crianças não sabem dizer "eu preciso de atenção", ou elas ficam sozinhas, ou buscam alternativas que nos tiram das nossas atividades. Que nos incomodam ou nos assustam! (mais aqui)

Como assim? Um exemplo:

O João de quatro anos chega da creche e os pais do trabalho. A mãe quer checar seu email pessoal e o pai quer dar uma olhadinha no Facebook. O filho fala "papai, olha isso que eu fiz hoje!" - "espera um pouco, filho, já olho". Tomado pelas novidades da rede, esquece, e o menino espera. Olha para a mãe e diz "mãe, olha!". Mas a mãe diz "to acabando de ler esse email aqui, tá? Espera um pouquinho". O menino senta, se distrai com alguma coisa, olha pra frente e os pais ainda estão ocupados. O pai levanta e vai ao banheiro com o celular. A mãe diz "filho, preciso de um banho! Espera um pouco que depois do banho eu fico com você!". Ela vai. O menino levanta e vai para o quarto brincar. No caminho, ele pisa num carrinho de brinquedo no chão, cai e bate a cabeça. Ouve-se aquele barulho oco, o silêncio e um berro de dor e choro. Os pais, desesperados, correm pela casa à procura do menino! ele está lá no chão, chorando, machucado. A mãe pega ele no colo, o pai fica olhando com pena. Ela toda ensaboada, ele com as calças no meio das pernas. Os dois abraçam o filho e perguntam se ele está bem. Os dois olham para o menino pela primeira vez desde que chegaram em casa. Ele com os olhos cheios de água e a cabeça doendo, olha fungando e tristinho pra mãe e diz "mãe, olha isso que eu fiz hoje!". E para animá-lo e fazê-lo esquecer da queda a mãe diz "nossa, filhote, que legaal!!".

O que João aprendeu?


A autora Laura Gutman fala no seu livro "A Maternidade e o encontro com a própria sombra" (dica de leitura aqui) que propõe a seus clientes uma semana tirando 15 minutos por dia só para os filhos, mas que ninguém consegue. Ela afirma que os pais falam que o filho é a coisa mais importante da vida deles, no entanto passam dias sem sentar para brincar com eles. Muitas vezes até semanas e meses! E que, então, muitas dessas crianças ficam sozinhas e desamparadas, preenchendo esses vazios com vícios e manias. 

Ela explica, também, que é muito comum as crianças aprenderem, inconscientemente, a adoecer para ter mais atenção e carinho dos pais.

Mas essas realidades às vezes não são óbvias. Achamos que não é conosco, que nos esforçamos, que na nossa casa é diferente. 

Então ai vai uma Dica Rica PsiMama:

Uma forma de entrar em contato com essa realidade nas nossas casas é analisar um dia inteiro típico de sua rotina no ponto de vista das crianças da casa.

E ai? O que tem ensinado ao seu filho? A esperar? A tomar medidas drásticas pra tê-lo por alguns minutos? Ou a receber atenção sem ter que pedir?

Ao seu chamado, ser ignorado, ou a e ser ouvido? A esperar realmente somente quando necessário, ou a receber atenção só quando não tem jeito?

Para acalmar o coração: tire hoje 15 minutos para sentar e brincar com seus filhos. Sem celulares nem distrações adultas. Só vocês, se curtindo! 

beijos

#PsiMama
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