Sexualidade no pós-parto: uma questão de amor e carinho.

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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016
Dica: leitura a dois!



Apesar de a liberdade sexual feminina ser um tema muito recente em termos históricos, temos enquanto mulheres a sensação de ter “superado todos os obstáculos”, quando na verdade ainda operamos muitas vezes sob uma ótica masculina da sexualidade, e temos ainda muito a aprender sobre a feminilidade oculta. 

Um bom exemplo disso é o, ainda, pouco contato e aceitação com o que é naturalmente feminino. A menstruação, por exemplo, ainda é um tema que muitos homens evitam, e muitas mulheres também, como se fosse algo sujo e oculto. O copinho menstrual deixa isso claro nas redes sociais, apesar de já ter uma boa aceitação, ainda é pela minoria, e ainda rende muitos comentários maldosos e preconceitos. Outro exemplo é a forma como, na cultura brasileira, as mulheres abraçaram a cesariana, por predominar a falta de contato com seus corpos e pouca intimidade consigo mesmas, não tendo vontade de parir.

Como podemos perceber, a repressão sexual aparece de várias maneiras, e não só com relação ao sexo propriamente dito. Em nossa cultura, a visão masculina do sexo muitas vezes dá à mulher a falsa impressão de liberdade sexual, quando na verdade as coloca numa posição masculina frente ao sexo: ativa, agressiva, com objetivos claros e resultados palpáveis. 

No entanto, quando buscamos a essência da sexualidade feminina (até mesmo fisiologicamente), percebemos que o sexo no corpo feminino tende a ser menos viril e penetrante. Na verdade, segue um padrão mais sutil. O gozo do corpo feminino tende a responder menos à penetração, e mais e melhor ao beijo, o sensível e o tátil.

E a sexualidade no pós-parto, muitas vezes, segue aqueles padrões, de falsas expectativas e parâmetros, do ponto de vista masculino. A partir do momento que a “atividade sexual” é “liberada pelo médico”, a mulher pode se frustrar por seu desejo sexual não irromper “como antes”, culpadas e temerosas. Por seguirmos o padrão viril penetrante, acabam se sentido pressionadas, navegando no desejo do outro e com pouco contato com o que elas realmente desejam (não só no sexo, mas em várias situações do pós-parto isso se faz presente. Ler mais aqui).

De acordo com Laura Gutman, o corpo da mulher não responde bem a esse padrão no pós-parto uma vez que está em fusão emocional com o bebê, com toda sua energia e atenção voltada para seu cuidado dele, e a libido voltada para a amamentação, dia e noite. Além disso, freqüentemente encontram-se esgotadas, tanto física quanto emocionalmente, perpassando por todo o turbilhão que traz o puérperio. Ela diz:

“As sensações afetivas e corporais se tornam muito sensíveis, e a pele parece um fino cristal que precisa ser tocado com extrema delicadeza”.

Além da sensibilidade extrema, a mulher fusão mãe/bebê está imersa no universo do recém- nascido de forma tal, que sua presença se faz até mesmo quando ele não está. Suas sensações se confundem, e aquele ser se faz constante e necessário em cada momento e pensamento dessa mãe, que florescendo se descobre cada dia mais fundida na díade.

Então, como fazer?

A sexualidade no pós-parto deve respeitar os limites do momento, sendo mais voltada para o amor, o cuidado, o cheiro, o sussurro, o carinho. Que ambos se conectem na sexualidade sensível e tátil feminina, sem metas claras, penetração ou esforço. Acariciando-se e amando-se como num amasso adolescente sem rumo. Se divertindo e se curtindo como recém apaixonados, descobrindo-se novamente nesse novo mundo desconhecido. 

Isto é, centrada no amor que compartilham, no carinho que suas peles demandam, nas massagens tão merecidas, na sexualidade e não no sexo

Esse encontro amoroso e humano satisfaz a ambos, e não invade a alma fusionada da mãe.  Uma vez que a criança se faz presente para mãe fusionada até quando não está, ela então participa emocionalmente da relação amorosa dos pais, e por isso torna indispensável que seja suave, sussurrante e acolhedora. Pois é do que precisa a mãe exausta, o pai saudoso e o filho recém-chegado.

Com essas práticas, o puerpério traz a oportunidade de simplesmente descobrir outras maneiras de exercer nossa sexualidade, nossos encontros amorosos, que enriquecerão nossa sexualidade por promover a integração de aspectos de nossos parceiros e de nós mesmos que desconhecíamos.

Vale dizer que quando há essa pressão para o ato sexual viril e penetrante, quando a mulher pode não estar em condições físicas e emocionais para tal, pode gerar-se um mal entendido, em que qualquer aproximação física seja interpretada como um convite a essa demanda, fazendo com que a mulher venha a reagir, mesmo que inconscientemente. Isto é, distanciando-se, adoecendo ou projetando essa dificuldade no bebê, que chora e a reclama o tempo todo.

Em resumo? Se amem! 

mTroque carícias, façam carinhos e massagens, falem e ouçam coisas gostosas ao pé do ouvido, sem que haja a obrigação da penetração. Sem que haja metas e objetivos. 

Se curtir mesmo, e ao máximo, desenvolvendo a capacidade de cuidar, acariciar, comunicar e dar afeto, demonstrando simplesmente o amor que existe. 

Até quando? 

A fusão emocional dura aproximadamente dois anos (mais sobre isso aqui), mas com essa harmonia e troca de carinhos, vocês perceberão que cada casal tem seu tempo, e que sem pressão e com muito amor, as coisas fluem naturalmente. 

E o mais legal é que percebemos que a atividade sexual do casal sob essa ótica nem precisa de autorização médica nem de obedecer resguardo! O carinho é bem vindo sempre!

Vale ressaltar que esse é apenas mais um dos muitos aspectos na vida do casal em que essa cumplicidade se faz absolutamente necessária. Principalmente depois da chegada do bebê, para garantir a saúde do relacionamento, bem como tudo o que vai se desenvolver a partir daí enquanto casal, e enquanto pais. Pois a parentalidade, segundo a teoria que aqui seguimos, está absolutamente relacionada à nossa saúde emocional. Ou seja, se o casal de apóia e se ama, se compreende e se ajuda, terão grandes chances de terem também um relacionamento saudável com seus filhos.

Essa cumplicidade também se faz necessária para o papel do pai da gestação à criação, que é o tema do nosso próximo post!

Então fiquem ligados, homens, que vai ser muito útil para vocês! 

Amem-se com carinho!

Grande beijo


#PsiMama
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